Welcome to Lucid Dreams!
É possível viver a dois com alguém cuja coleção de discos, filmes ou livros é incompatível com a sua? As pessoas podem ter um gosto sofrível e ainda assim merecer que as conheçamos? As canções e os filmes e as histórias sobre dores-de-cotovelo, sofrimento e solidão estragam nossas vidas, se consumirmos em excesso? Aqui você conhecerá um pouco sobre o amor platônico no mundo da música, da poesia, e do cinema. Amores não correspondidos, desilusões amorosas e o escambal, nas palavras de artistas famosos que conquistam os nossos ouvidos a cada dia.
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
The Smiths
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Sequência: The Smiths
Mas se você não tem muita “sorte”, sente pena de si mesmo ao se apaixonar por alguém, sente-se incapaz de coabitar o mesmo lugar que a pessoa amada, leva meses para se recuperar de uma perda, não é de muitos amigos e sofre com as pauladas da vida, tenho certeza de que irá se identificar com as letras escritas por Morrissey, o frontman dos Smiths.
Selecionei uma seqüência de três músicas que descrevem muito bem os sentimentos antes e depois de um relacionamento o qual normalmente levamos meses para construir. É quase um ciclo.
1)

“Good times for a change... See the luck I've had, can make a good man turn bad. So please, please, please, let me, let me, let me... Let me get what I want this time. Haven't had a dream in a long time... See the life I've had, can make a good man turn bad. So, for once in my life let me get what I want. Lord knows, it would be the first time.”
Bons tempos para uma mudança... Veja a sorte que tenho tido, pode fazer um bom homem tornar-se mal. Então, por favor, por favor, por favor, me deixe, me deixe, me deixe... Me deixe ter o que quero desta vez. Eu não tenho um sonho há muito tempo... Veja a vida que tenho tido, pode fazer um bom homem tornar-se mal. Então, pela única vez na minha vida, deixe-me ter o que quero. Deus sabe que seria a primeira vez.
“Please, Please, Please Let Me Get What I Want” (The Smiths) – do single “William, It Was Really Nothing”
2)

"I am the son and the heir, of a shyness that is criminally vulgar. I am the son and heir, of nothing in particular. (...) There's a club, if you'd like to go. You could meet somebody who really loves you. So you go, and you stand on your own, and you leave on your own, and you go home, and you cry. And you want to die. (...) When you say it's gonna happen "now", well, when exactly do you mean? See, i've already waited too long, and all my hope is gone. You shut your mouth! How can you say I go about things the wrong way? I am human and i need to be loved, just like everybody else does."
Eu sou o filho e o herdeiro, de uma timidez que é criminosamente vulgar. Eu sou filho e o herdeiro, de nada em particular. (...) Há um clube, se você quiser ir. Você poderia encontrar alguém que te ame de verdade. Então você vai, e você fica sozinho, e você vai embora sozinho, e você vai pra casa, e você chora. E você quer morrer. (...) Quando você diz que vai acontecer "agora", bem, quando exatamente você quer dizer? Veja, eu já esperei demais, e toda minha esperança se foi. Você, cale sua boca! Como pode dizer que eu faço as coisas do modo errado? Eu sou humano e preciso ser amado, como todos precisam.
“How Soon Is Now?” (The Smiths) – do album “Meat Is Murder”
3)
“Hand in glove. The sun shines out of our behinds. No, it's not like any other love, this one is different - because it's us. (...) We can go wherever we please, and everything depends upon how near you stand to me. And if the people stare, then the people stare... Oh, I really don't know and I really don't care (kiss my shades). (...) The Good People laugh, yes, we may be hidden by rags, but we've something they'll never have. So, hand in glove I stake my claim. I'll fight to the last breath, if they dare touch a hair on your head I'll fight to the last breath. For the Good Life is out there somewhere, so stay on my arm, you little charmer. But I know my luck too well, yes, I know my luck too well. And I'll probably never see you again, I'll probably never see you again...”
Mão na luva. O sol brilha por trás de nossas costas. Não, não é como nenhum outro amor, este é diferente - porque somos nós. (...) Nós podemos ir onde quisermos, e tudo depende só do quão perto você ficar de mim. E se as pessoas encararem, deixe que as pessoas encarem. Oh, eu realmente não sei e realmente não me importo (beije minhas sombras). (...) As "pessoas boas" riem, sim, podemos estar escondidos atrás de farrapos, mas nós temos algo que elas nunca terão. Então, mão na luva, eu faço minha reivindicação. Eu lutarei até o último suspiro, se eles ousarem tocar num fio de cabelo seu eu lutarei até o último suspiro. Pois a Boa Vida está lá fora em algum lugar, então fique no meu braço, pequena charmosa. Mas eu conheço minha sorte muito bem, sim, eu conheço minha sorte muito bem. E provavelmente eu nunca mais verei você outra vez, provavelmente eu nunca mais verei você outra vez...
"Hand In Glove" (The Smiths) - do álbum "The Smiths"
Nada que alguém jamais tenha sentido.
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Melancolia sem fim
Terminou o namoro? Discutiu com quem você ama? Perdeu alguém importante na sua vida de alguma maneira? Sente-se só neste mundo cruel? Consolo é a primeira coisa que procuramos em momentos como esses, mas um simples e vazio “vai ficar tudo bem” geralmente não resolve. Queremos mais palavras, queremos senti-las. Queremos ouvir a história de pessoas que passaram pela mesma situação, se não parecida. Queremos aliviar a dor da perda compartilhando-a. Desabafamos, choramos, escrevemos textos enormes que cinco minutos depois estão na lixeira. Criamos blogs, fotologs, videologs e mais de mil e uma artimanhas para nos distrair e nos expressar. Mas o que é que nos mantém tão motivados a continuar acreditando? Afinal a esperança é a ultima que morre, mas e quando não a temos? O que nos faz acreditar que ainda poderíamos ter feito a escolha certa? Todas essas e muitas outras perguntas você encontra (não apenas) nas canções dos Smiths.

"The boy with the thorn in his side... Behind the hatred there lies, a murderous desire for love. How can they look into my eyes and still they don't believe me? How can they hear me say those words and still they don't believe me? And if they don't believe me now, will they ever believe me? (...) How can they see the love in our eyes, and still they don't believe us? And after all this time, they don't want to believe us. And if they don't believe us now, will they ever believe us? And when you want to live, how do you start? Where do you go? Who do you need to know?"
O garoto eternamente atormentado... Por trás do ódio jaz um desejo homicida por amor. Como eles podem olhar em meus olhos e continuar sem acreditar em mim? Como eles podem me ouvir dizer aquelas palavras e continuar sem acreditar em mim? E se eles não acreditam em mim agora, Eles vão acreditar algum dia? (...) Como eles podem ver o amor em nossos olhos, e continuar sem acreditar em nós? E depois de todo esse tempo, eles não querem acreditar em nós. E se eles não acreditarem em nós agora, eles vão acreditar algum dia? E quando você quer viver, como você começa? Onde você vai? Quem você precisa conhecer?
“The Boy With The Thorn In His Side” (The Smiths) – do album “The Queen Is Dead”
Pensando demais, raciocinando demais, analisando prós e contras e todas as alternativas sobre o que poderia ter acontecido, pensamos em reações, escrevemos diálogos que nunca sairão de nossas cabeças, escrevemos blogs como este que você está lendo.
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Introdução
O amor é algo lindo, certo? Apaixonar-se é muito bom, é um dos motivos que fazem nossa vida ter sentido, certo? Encontrar a pessoa perfeita, aquela que te completa, aquela que você tem certeza que foi feita especialmente para você, é gratificante, certo?

Mas o que acontece quando você encontra a pessoa ideal, mas você não é a pessoa ideal para ela? Que mistérios se encontram escondidos nesse processo onde o cupido acerta sua flecha em apenas um dos envolvidos e esquece-se de acertar o outro, o alvo mais importante, o objeto de nossa paixão, a Anna Julia do Los Hermanos?
Um exemplo claro de que a música pode sim afetar nossas vidas, está no filme (500) Days of Summer, dirigido por Marc Webb e tendo como estrelas principais Joseph Gordon-Levitt e Zooey Deschanel.
Logo no início do filme, podemos encontrar Tom Hansen (Joseph) como um azarado escritor de cartões comemorativos e um romântico sem esperanças. Ele nos é introduzido pelo narrador da história, que afirma com suas palavras “Esta é a história de um rapaz que conhece uma moça. O rapaz, Tom Hansen de Margate, Nova Jersey, cresceu acreditando que nunca seria feliz de verdade até o dia em que conhecesse a predestinada. Esta crença está associada a uma exposição precoce a música pop britânica triste e a uma total má interpretação do filme “A Primeira Noite de um Homem”. A garota, Summer Finn de Shinnecock, Michigan, não compartilha dessa crença. Desde o término do casamento de seus pais, ela só adorava duas coisas. A primeira, seus cabelos negros compridos. A segunda era como ela conseguia cortá-los facilmente e não sentir nada. Tom conheceu Summer no dia 8 de janeiro. Ele soube quase que imediatamente que era ela quem ele estava procurando. Esta é a história de um rapaz que conhece uma moça. Mas você tem que saber de antemão, que não é uma história de amor.”
Virei fã dos Smiths desde que conheci a música “The Boy With The Thorn In His Side” do album “The Queen Is Dead” e posso afirmar o quanto eles são melancólicos. Deixo a recomendação!

“And if a double-decker bus crashes into us, to die by your side is such a heavenly way to die... And if a ten-ton truck kills the both of us, to die by your side, well, the pleasure and the privilege is mine.”
E se um ônibus de dois andares batesse em nós, morrer ao seu lado seria um jeito divino de morrer... E se um caminhão de dez toneladas matasse a nós dois, morrer ao seu lado, bem, o prazer e o privilégio seriam meus.
Escutei canções melancólicas cerca de uma vez por semana, em média (trezentas vezes no primeiro mês, e de vez em quando depois disso), desde os meus treze anos de idade. Como é que isso pode não deixar você magoado de alguma forma? Como é que isso pode não transformá-lo no tipo de pessoa passível de se quebrar em pedacinhos quando seu primeiro amor dá todo errado?
Deixo com vocês a pergunta: Eu ouvia música pop porque estava infeliz? Ou estava infeliz porque ouvia música pop?



